História do acordeom

O Acordeom

acordeon-2O acordeom é um instrumento musical que faz parte da tradição de vários povos. Ao longo da história, seus timbres ajudaram a criar a identidade da música de várias culturas, sendo reconhecido como elemento característico de diversas sonoridades folclóricas. No Brasil, por exemplo, o acordeom está presente na musicalidade nordestina, por meio do forró, baião, entre outros; no sertanejo e na música caipira do sudeste e centro-oeste; e na música tradicionalista gaúcha da região sul.

Apesar do forte caráter regionalista, sua versatilidade é aproveitada em vários gêneros musicais, desde canções pop até a música erudita e o jazz.

O acordeom é um dos vários instrumentos musicais que foram aprimorados a partir do Tchneng, ou Cheng, uma palheta de bambu tocada como uma espécie de instrumento de sopro, que foi criada na China por volta do ano 3000 a.c.  A gaita dos chineses tinha a forma de uma fênix, pássaro mitológico considerado o imperador das aves. Em diferentes regiões, essa palheta de sopro portátil também era de chamada de shanofouye ou hoelofouye.

A expansão do instrumento para além das fronteiras chinesas começou pela Rússia, dezoito séculos depois da invenção do Cheng. De lá, o caminho seguiu para a Europa, onde o acordeom foi difundido principalmente a partir da Alemanha.  

Foi na Europa que o instrumento começou a tomar a forma e ganhou o nome pelo qual o conhecemos hoje. Em 1822, na cidade de Viena, Áustria, Cyrillus Demian inventou um pequeno órgão de quatro acordes que chamou de acordeom.  O primeiro modelo foi criado a partir de modificações introduzidas no modelo chinês, e possuía um sistema de palhetas livres, que se trata de um aperfeiçoamento de instrumentos como o oeline e o aerofone.

O invento foi patenteado em seis de maio de 1829, e o primeiro concerto de acordeom foi promovido por Charles Wheatstone, em Londres, Inglaterra, no dia 19 de junho do mesmo ano. A partir de então, o instrumento passou a ser um símbolo de status e se tornou ainda mais popular.

Outro marco na história do acordeom foi o início de sua industrialização, a partir de 1863, pelas mãos de Paolo Soprani e seus irmãos, Settimio e Pascoale. Apaixonado pelo instrumento, Soprani desenvolveu novos mecanismos, montagens, e realizou mudanças nas palhetas até chegar a um exemplar que considerasse perfeito.  

Existem vários tipos de acordeom, que diferem entre si principalmente pela mão direita, a qual pode ter teclas ou botões. O acordeom com teclas pode ser chamado de gaita, sanfona, pianada ou apenas de acordeom. Já os modelos com botões são muitos, e vão desde o acordeom cromático, passando pela gaita ponto, ou acordeom diatônico, e encerram no bandoneon.

O instrumento consiste em duas caixas retangulares dispostas em posição vertical ligadas entre si por um fole de cartão plissado. Dentro das caixas estão as palhetas que, acionadas pela agitação de dois tipos de teclado, emitem som pela vibração da passagem do ar que é empurrado através dos movimentos do fole. O peso de um acordeom pode variar de dois a dezesseis quilogramas.

Até hoje, o som original do acordeom é talvez o único que não se conseguiu reproduzir fielmente em sintetizadores eletrônicos.

O acordeom no Brasil

O acordeom chegou ao Brasil junto com os primeiros colonizadores europeus, vindos principalmente da Itália, país onde até hoje se fabricam as marcas de gaita mais conceituadas do mundo. No sul do Brasil, o instrumento é um dos principais símbolos da música e da cultura tradicionalista gaúcha.

Talvez não por acaso, o florescimento da indústria de gaitas no Rio Grande do Sul coincidiu relativamente com o período de fundação do “35”, o primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG), em Porto Alegre.  

O estado chegou a ter 30 fábricas de gaitas, algumas muito famosas como Todeschini, Universal, Scala, Marinella, Mondiale, Sonelli, Supremo, Somenzi, Silla, Mascarenhas, Tupy, Danielson e Veronese.

A mais bem-sucedida foi a Todeschini que, além de ter boa parte de sua produção consumida no estado, chegou a produzir diretamente para algumas famosas marcas europeias. Apesar da qualidade dos instrumentos fabricados no Rio Grande do Sul, as fábricas nativas foram gradativamente encerrando suas atividades, restando apenas a Minuano, de Santa Rosa.